O destino não poderia ter traçado um futuro pior para as duas moças da nobreza escocesa. Pior do que serem raptadas por um temível guerreiro inglês, foi descobrir que o inglês é um homem sucinto e amigável. Quando uma delas fica doente, ele permite libertá-la em troca dos favores da outra, Jennifer. Ela não tem duvida em sacrificar sua honra para salvar a vida de sua irmã. Indevidamente, entre Jennifer e o implacável guerreiro surge um intenso amor alheio ao combate entre seus respectivos clãs. Mas a vida pedirá um acerto de conta aos irrefletidos amantes.
Jennifer, uma jovem escocesa, não teve uma infância fácil, porém, tudo piorou quando seu pai se casou pela segunda vez trazendo consigo os três filhos e uma filha de sua esposa. O mais velho deles, Alexander, fazia de tudo para que Jenny fosse mal vista e odiada pelo povo do clã, mesmo sabendo que ele herdaria tudo o que pertencia a Jenny por direito e que ele seria o próximo chefe do clã.
Alexander inventada todo tipo de mentira, até mesmo acusá-la de ter matado a melhor amiga.
Magoada por todos terem virado as costas à ela, sempre olhando a com desprezo e nem lhe dirigindo sequer uma palavra, Jenny se disfarça de homem e desafia Alexander para uma luta e vence, humilhando-o. Seu pai que não gostou nada resolve levá-la para um convento, local em que fica por dois anos.
A única coisa que resta à Jenny é sonhar com o seu reino dos sonhos, um local onde ela é amada pelo seu povo.
Passados os dois anos, seu pai junto com sua meia irmã, Brenna, voltam ao convento com uma proposta. Ela só poderia sair dali se fosse para se casar com um velho repugnante. Para agradá-lo, Jenny acaba aceitando o acordo mesmo odiando a ideia de ter que se casar com um homem que ela repudiava.
Atormentada com o rumo que sua vida estava tomando, Jenny e Brenna vão dar um passeio antes de retornarem ao convento.
Perto dali está Royce Westmoreland, o temível Lobo Negro. Ele é uma lenda, todos já ouviram coisas terríveis que o Lobo já fez. Porém Royce quer parar com essa vida, ele não quer mais viver indo que um lado a outro lutando batalhas e matando em nome do Rei. Ele quer se estabelecer em um local mas para isso, precisa lutar uma última batalha contra o clã Merrick.
Royce que muitas vezes não precisou nem lutar, só seu nome e sua lenda já faziam com que todos morresse de medo e fossem derrotados. Mas esse medo que todos sentiam só de ouvir falar dele o feria, e para evitar mais derramamento de sangue ele aceitou o que seu irmão propunha: sequestrar as duas jovens filhas do chefe Merrick.
E é assim que Jennifer e Brenna acabam sendo sequestradas pelo Lobo, o inglês mais temido pelo seu povo.
"No momento em que a capa caiu para trás, Jenny lançou um punho com toda a sua força contra o gigante escuro e demoníaco que se encontrava diante dela, golpeando-o no queixo.
Brenna desmaiou.
- Monstro - gritou Jenny. - Bárbaro! - dispôs-se a golpear de novo, mas uma mão enorme se fechou sobre seu punho obrigando-a a manter o braço no alto. - Diabos! - Falou sem deixar de lutar ao mesmo tempo em que dirigia uma potente pernada contra sua virilha. - Seguidor de Satanás! Violador de inoc...!
- Que demônios! - rugiu Royce Westmoreland. Adiantando-se, segurou à moça pela cintura e a levantou no ar, sustentando-a por um braço de distância. Foi um engano. A bota de Jenny o alcançou diretamente na entre perna."
Desse sequestro nasce um sentimento muito forte. Jenny não o vê como o Lobo temível por todos, ela consegue ver mais além, ela enxerga sua alma. Mas mesmo assim ela tem que resistir pois seu pai nunca iria perdoá-la por facilitar a vida de seu inimigo. Por isso, ela inventa todas as formas possíveis de arrumar problemas para Royce e o engana várias vezes, sempre conseguindo uma forma de fugir. Porém, ela sempre é capturada.
Até o momento que Royce consegue capturar seu coração e lhe tira a virgindade (não contei spoliers, esse fato já é contado nas primeiras páginas). Agora, ela é obrigada a se casar com o maior inimigo de seu povo.
Não achem que vai ser fácil assim, algumas coisas acontecem e Jenny se vê em mais uma fuga, mas dessa vez não será ela a ser quem elabora tudo.
"E com um gemido de rendição, ela se entregou e lhe devolveu o beijo, dizendo a si mesmo que um beijo significava muito pouco. Mas o certo é que, ao terminar, tremia como uma folha. Royce afastou a cabeça, observando os sonolentos olhos azuis e Jenny detectou em seu rosto uma expressão de estranheza e enorme satisfação.
- Por que sinto que me conquista quando é você que se entrega?
Jenny encolheu os ombros e lhe deu as costas"
Agora Jenny precisa escolher se sua lealdade está ao lado do seu povo ou de seu marido. E a vida deste homem que ama e que lhe deu o reino de seus sonhos dependerá de sua escolha.
"- No que pensava enquanto olhava pela janela?
- Eu... não estava pensando. - respondeu ela, ruborizando.
- O que fazia então? - perguntou Royce, em tom de curiosidade.
Ela esboçou um sorriso melancólico e voltou a cabeça para a janela.
- Estava... falando com Deus - respondeu. - Tenho esse costume.
Assombrado, Royce perguntou:
- De verdade? E o que ele te disse?
- Acredito que me disse: "De nada"
- Por quê? - perguntou ele com um sorriso.
Jenny o olhou nos olhos e respondeu com solenidade:
- Por você."
Um Reino de Sonhos é muito lindo. O livro é cheio de reviravoltas que me fez ficar lendo e não parar até terminar. Com toda certeza é um dos melhores livros de Judith McNaught.
O final do livro é emocionante. Depois de tantos erros cometidos por ambos, eles arrumam uma maneira sem palavras de mostrar o amor que sentiam um pelo outro. E Royce sacrifica tudo por ela.
Não teve um ponto negativo que achei, ele é perfeito. Me angustiei, ri, torci pelos dois e chorei muito. Um Reino de Sonhos é um livro para se emocionar e se apaixonar.
Espero que ele seja lançado no Brasil logo.
Recomendadíssimo! Corra logo e vá ler.
Trecho do livro:
"-Brenna corre o risco de morrer se não inalar as ervas de minha tia. Da última vez seu coração deixou de bater.
Royce não acreditava que a jovem loira corresse realmente perigo de morte, mas era evidente que Jenny achava como também era certo que Brenna não fingia aquela tosse.
Jenny detectou um pouco de indecisão nos duros traços de Royce e, convencida de que ele estava a ponto de recusar seu pedido, tratou de aplacá-lo se mostrando de liberadamente total.
-Disseram que sou muito orgulhosa e... sou - disse-lhe, apoiando uma mão sobre seu peito, com um gesto de súplica. -Se deixar Brenna partir, farei qualquer tarefa que me ordenar, por mais humilde que seja. Esfregarei o chão... cozinharei para você. Juro que o recompensarei de alguma forma.
Royce olhou a pequena e delicada mão esticada sobre seu peito; começava a notar seu calor através da túnica e isso bastou para que o desejo começasse a manifestar-se em seu corpo. Não compreendia como era possível que ela exercesse um efeito tão forte sobre ele, mas sim compreendia que desejava tê-la entre os braços. E para conseguir, estava disposto a tomar a decisão mais irracional de sua vida: deixar que partisse sua refém mais valiosa, pois, apesar da convicção de Jennifer de que Lorde Merrick era um pai carinhoso, embora duro, algo do que tinha lhe contado o fazia duvidar de que aquele homem abrigasse sentimentos profundos para sua com «problemática» filha mais velha.
-Por favor - sussurrou Jenny com expressão de temor nos olhos ao tomar erroneamente seu silêncio como uma negativa. -Farei qualquer coisa. Ajoelharei-me diante de você. Só têm que me dizer o que deseja.
Royce falou finalmente, enquanto Jenny, ofegante, estava muito exausta para detectar o estranho e significativo tom que imprimiu em sua voz.
-Qualquer coisa?
Ela assentiu com um vigoroso gesto de cabeça.
-Qualquer coisa... Farei que em poucas semanas que este castelo fique limpo e preparado para receber um rei. Rezarei por cada um de...
-Não é prece o que desejo - interrompeu-a ele.
Desesperada por chegar a um acordo antes que ele mudasse de opinião, Jenny acrescentou:
-Me digam então o que é que deseja.
-Você - respondeu ele implacavelmente. A mão de Jennifer se separou de sua túnica, enquanto ele continuava falando sem emoção alguma. -Não desejo que se ponha de joelhos. Desejo-a em minha cama. Por vontade própria.
O alívio de saber que ele estava disposto a deixar Brenna partir se viu temporalmente superado pela abrasadora animosidade diante do que lhe exigia em troca.
Ele não sacrificava nada ao libertar Brenna, pois ainda conservava Jenny como refém e, entretanto, exigia a esta que sacrificasse tudo. Ao ceder voluntariamente sua honra, ela se transformaria em uma rameira, em uma desgraça para si mesma, sua família e tudo aquilo que lhe era mais querido. Certo que quase já tinha cedido em uma ocasião, ou que quase esteve a ponto de ceder, mas o que tinha lhe pedido em troca teria salvado centenas de vidas, provavelmente milhares. Pessoas que amava.
Além disso, quando lhe fez aquela oferta velada se sentia meio atordoada por seus beijos e suas carícias apaixonadas. Agora, por outro lado, compreendia claramente quais seriam os resultados deste trato.
Atrás dela, a tosse espasmódica de Brenna fez com que Jenny desse um pulo, alarmada tanto por sua irmã como por si mesma.
-Temos um trato? -perguntou ele com tranqüilidade.
Jenny ergueu a cabeça com o aspecto de uma jovem rainha orgulhosa que acabasse de ser apunhalada pela pessoa em quem mais confiava.
-Julguei-lhe erroneamente, milorde - disse amargamente. -Achava que tinha honra quando há dois dias se negou a me aceitar, pois teria tomado o que eu lhe oferecia em troca de não atacar o castelo de Merrick. Agora compreendo que não foi honra e sim arrogância. Um bárbaro como você não tem honra.
Apesar de saber que estava vencida, sua atitude era esplêndida, pensou Royce, que conteve um sorriso de admiração enquanto observava aqueles atormentados olhos azuis.
-Parece-lhe tão detestável o acordo que lhe ofereço? -perguntou sereno, e apoiou as mãos sobre os rígidos braços dela. -Na verdade, não tenho necessidade de fazer acordo algum com você, Jennifer, e sabe disso. Nestes últimos dias poderia tê-la possuído pela força no momento em que tivesse desejado.
Jennifer sabia que ele estava certo, e embora seu rancor não se aplacasse, teve que lutar para não cair sob o feitiço da profunda voz do conde.
-Eu te desejo -continuou Royce, - e se isso me transforma em um bárbaro diante de seus olhos, que assim seja, embora não tem por que ser dessa forma. Se me permitir, farei com que as coisas entre nós sejam melhores. Em minha cama não terá que sofrer nenhuma vergonha ou dor, exceto da primeira vez, depois disso, tudo será prazer.
Se tivessem vindo de outro cavalheiro, aquelas palavras teriam bastado para convencer à cortesã mais refinada. Mas dirigidas pelo guerreiro mais temido da Inglaterra a uma moça escocesa que virtualmente tinha sido criada em um convento, o efeito que exerceu foi devastador. Jennifer sentiu que o sangue subia ao seu rosto e que uma fraca e tremula sensação descia da boca do estômago até os pés, pois se viu repentinamente assaltada pela lembrança de seus ardorosos beijos e carícias.
-Temos um acordo? -insistiu Royce ao mesmo tempo em que acariciava os braços de Jenny com seus longos dedos e pensava que acabava de pronunciar as palavras mais ternas que jamais havia dito a uma mulher.
Jenny vacilou por um instante que pareceu interminável, consciente de que não restava outra alternativa. Depois, assentiu imperceptivelmente.
-Manterá sua palavra? -perguntou Royce.
Jenny se deu conta de que se referia ao tema de sua boa vontade, e voltou a vacilar. Desejava odiá-lo, mas uma voz em seu interior a lembrava que nas mãos de qualquer outro seqüestrador já teria sofrido um destino muito pior que o que Royce lhe propunha. Um destino brutal e inconcebível.
Olhou fixamente o bronzeado rosto do Lobo em busca de um sinal que lhe indicasse que mais tarde ele talvez tivesse piedade dela, mas em vez de encontrar uma resposta ficou repentinamente consciente do quanto tinha que inclinar a cabeça para trás para olhá-lo, e de quanto era pequena em comparação com sua estatura e corpulência. Enfrentar seu tamanho, a sua fortaleza e a sua vontade indomável, não era possível e não restava outra alternativa, e ela sabia. Compreender aquilo fez com que sua derrota parecesse menos dolorosa, pois se via totalmente superada por uma força muito superior à sua.
Saiu ao encontro de seu olhar sem se acovardar, orgulhosa inclusive em sua rendição.
-Cumprirei com minha parte do trato.
-Queria que me desse sua palavra - insistiu ele.
Nesse momento, outro violento ataque de tosse atraiu sua atenção para o quarto de Brenna. Jenny o olhou com expressão de surpresa. A última vez que tinha lhe dado sua palavra, ele tinha agido como se isso não significasse nada para ele, o que não era nada surpreendente. Os homens, incluído seu próprio pai, não davam valor algum à palavra de uma mulher. Evidentemente, Lorde Westmoreland tinha mudado de opinião, e isso não deixou de ser estranho. Com uma sensação extremamente incômoda e ligeiramente orgulhosa diante da pergunta, que era sua primeira oportunidade de que se cumprisse com seu pedido, sussurrou:
-Dou-lhe minha palavra.
Royce assentiu, satisfeito."